sábado, 14 de novembro de 2009

GTAT SOB NOVA DIREÇÃO

Grupo de Teatro Amador de Triunfo (GTAT) elege nova diretoria.

Na tarde deste sábado (14) membros do Grupo de Teatro Amador de Triunfo (GTAT) reuniram-se para eleger sua nova diretoria.
A assembleia aconteceu na sede da AMAPT – Associação Mista dos Artistas Profissionais de Triunfo, também conhecida como Sociedade dos Artistas.
Os novos eleitos são os seguintes:
Presidente: Denis Carlos Gomes
Vice-Presidente: João Araújo Correia
1º Secretário: Agamenon Gonçalves Lima
2º Secretário: Cristiane Almeida
Tesoureiro: Lucivaldo Ferreira
Conselho Fiscal:
Alberto Marcelino
Cristiano Montalvão
Felipe Diniz

O BTB parabeniza os novos membros da diretoria deste verdadeiro patrimônio cultural triunfense.

Para que o amigo leitor saiba mais sobre o GTAT, reescrevemos a matéria publicada neste blog, no dia 24 de março de 2009 pelo grande amigo e co-autor do BOOM, o pesquisador André Vasconcelos:


A PAIXÃO DE CRISTO DE TRIUNFO
24 de março de 2009

Por André Vasconcelos
Em 1975, o Frei Humberto Wallschlag - OFM, pároco de Triunfo, em reunião com o JOVIC (Jovens Vivendo o Ideal de Cristo), sugeriu a encenação da Paixão de Cristo no Sítio do Convento São Boaventura. O espetáculo sob a responsabilidade do Grupo de Teatro Amador de Triunfo (GTAT) cresceu, e a beleza dos cenários aliada ao aspecto natural do local fizeram surgir junto a Escola Monsenhor Luis Sampaio uma réplica da Jerusalém dos tempos de Cristo em pleno Sertão do Pajeú. Em 2002, incorporam-se ao GTAT profissionais da área cênica do Recife, artistas de Serra Talhada, do distrito de Canaã e outros. Passa-se a utilizar o recurso da dublagem e uma nova concepção de cena e luz que trazem mais poesia à Paixão.

Devido a falta de apoio financeiro o espetáculo foi encenado pela última vez em 2005, quando foi comemorado os 30 anos de encenação. Para as comemorações foi convidado o Frei Humberto, idealizador do espetáculo. Residindo em Fortaleza, infelizmente não pode comparecer devido a problemas de saúde, porém enviou uma carta datada de 11/03/2005. Menos de 03 meses depois viria a falecer em 05/06/2005, sendo sepultado no Canindé (CE). Frei Humberto Wallschlag nasceu em Striicklingen Saterlan na Alemanha, em 24/10/1944. Em 1965, cursou 2º grau na Escola Missionária dos Franciscanos em Bardel, no norte da Alemanha. Chega a Olinda (PE) em 30/07/1966 e a Triunfo em meados da década de 70, onde permanece até janeiro de 1979. Eis a Carta de Frei Humberto:
Fortaleza, dia 11 de março de 2005.

Amigos do Drama da Paixão de Cristo, querido povo de Triunfo: “Paz e Bem”!
Recordações e sentimentos positivos unem as pessoas e comunidades. Sinto-me perto de todos vocês e alegro-me muito com a boa notícia... 30 ANOS DRAMA DA PAIXÃO DE JESUS CRISTO EM TRIUNFO.

Unidos vamos agradecer a Deus por esta conquista das pessoas que batalharam durante todos esses anos para manter viva tão grande valor. Pessoas que fizeram, fazem e farão futuramente tanto bem no contexto cultural e religioso pelo bom povo da serra.
Da minha parte agradeço a todos, jovens e adultos, por me ter dado a oportunidade de convivência fraterna no meio de vocês e nas muitas caminhadas com o povo da rua e dos sítios... nas comunidades. Realizou-se a palavra tão acertada de Santa Terezinha do Menino Jesus: “SIM, É PRECISO SEMEAR BEM AO REDOR DE SI, SEM SE INQUIETAR COM A COLHEITA!”
O meu voto é o seguinte: continuem semeando a Boa Semente e nosso Bom Deus da VIDA e da ESPERANÇA abençoe a todo povo com a liberdade do Cristo Ressuscitado e com as chuvas de um bom inverno para todos os serranos e sertanejos.
Meu abraço em Cristo e São Francisco!

PARA – BÉNS !!!
Frei Humberto Wallschlag – OFM

Dando continuidade, ressalto que o espetáculo de Triunfo é considerado o segundo mais antigo de Pernambuco e o terceiro em número de participantes na última vez em que foi encenado. Impossível citar as inúmeras matérias que já foram publicadas e exibidas por televisões e jornais tendo a Paixão de Cristo de Triunfo como tema.
Por essa história tão bonita, acredito que a exemplo do governo estadual, o espetáculo da Paixão de Cristo de nossa cidade deve ser resgatado e declarado Patrimônio Cultural do Município, através de projeto dos poderes Legislativo e Executivo de Triunfo. Nada mais que justo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

MELHORANDO A VIDA DE QUEM?

POEMA DO ADEUS CASTELO
(Meu parecer poeteiro, já que o técnico não serviu)
Por Lucivaldo Ferreira


Terra das cartas marcadas
de tanto poder em mãos de poucos
néscios, santarrinhos de “paus ocos”,
loucos reis das memórias enterradas.
De estrabismos fiam, podres, vis espadas
que na távola devoram nossos réis
com oratórias tiradas de bordéis,
ensaiadas, temperadas de cinismo,
empurrando meu passado no abismo
onde pousa o fecar dos coronéis.

Quem comanda a terra destes reis
das serras cegas e emudecidas?
Reis das colunas vencidas,
quem dita ou segue as leis?
Tão linda a nossa mudez
barganhada à vil metal...
ANOITECEU NO CURRAL!
Gritou o louco flautista
antes de perder de vista
a paisagem ancestral.

Terra do quero e não posso,
da legislatura em causa própria,
da apropriação imprópria
do que é meu e seu, mas nunca nosso.
Gleba do inútil remorso,
dos que ruiram sem briga:
estrelas, mares... E a vida?
Um extorquido e vão destroço...

A quais bissextos devotam?
esquecimento e grandeza
complexo de realeza...
Só estrume e usura brotam
da mente d’onde se arrotam
tantos projetos insanos.
Na mesa dos dez enganos
nove enganados dormentes
endossam velhas correntes,
sempre aos quartetos de anos.

Adeus, “castelo antigo”!
Adeus, coreto de praça!
Venceram os reis da desgraça,
Reis do estilo “falso amigo”.
Te entrega, então, ao jazigo
praça em que dancei ciranda...
Hoje o regresso é quem manda
construir às margens, mancha,
hoje o rei manda: desmancha!
Não gostou? Então se manda!

Quem dera um senhor das ladeiras
antigas e esburacadas
com um manto de relhadas
desse dos pés às orelhas,
arrancasse as sobrancelhas
marcando a cara dos tais
reis das tramas “geniais”
pra mudar toda a paisagem
em nome da “mudernagem”
aos filhos de “falsos pais”.

Mas quando findado o dejeto,
fundado o deserto no centro,
pintem o boçal monumento
com cores que lembrem vocês:
A cor da arrogância aguda,
cor de um mudar que não muda,
cor do “alguém nos acuda!”
A cor da insensatez

Imagem: (André Vasconcelos)Castelinho - Triunfo/PE

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Diário de Pernambuco - Festival Lula Calixto feito na raça

Por Michelle de Assumpção // michelleassumpcao@dabr.com.br

"A caravana não morreu, não morreu nem morrerá", cantou o coquista Lula Calixto, na primeira música gravada pelo Coco Raízes de Arcoverde, fundado por ele, na coletânea Pernambuco em Concerto, lançada no Recife no ano 2000, com direito a show na Rua da Moeda. A música é um hino da resistência da cultura de sua família, de raiz sertaneja, indígena. Calixto, desde suas primeiras composições, tratou de defender e valorizar o território musical. Ele viria a falecer pouco depois dessa gravação. Seu legado, no entanto, permanece. Não só no coco que continua na ativa e conquistando cada vez mais admiradores. Mas num festival de grupos populares, criado há quatro anos, que leva seu nome. A 4ª edição do Festival Lula Calixto leva atrações para dois palcos: um no Alto do Cruzeiro e outro, alguns metros mais afastados, em frente à sede do Coco Raízes e casa de alguns familiares do grupo.

A Cocada (Recife), Coco das Irmãs Lopes (Arcoverde), Cordas e percussões, Trupé dos mestres, Reizados das Caraíbas, Semente de Vulcão (Recife), Tonino de Arcoverde, tocam na sexta-feira. No sábado, a festa será com Folclore Verde Castainho, Coco Raízes Negras, Mazurca de Quixaba, maracatu Batuque do Sertão, Grupo Batuque, Nação Porto Rico, Toque Leoa, Pernamuamba e Aurinha do Coco. O samba do Raízes de Arcoverde encerra as duas noites. No domingo ainda tem festival, com o maracatu Sinhá, Coco Calixto, Ciranda da Terra, Adiel Luna e Coco Camará, Quilombo Axé, Ambrosimio e Gigantes do Forró. São grupos desconhecidos, na maioria, que toparam participar por amizade e respeito ao Coco Raízes e à história de Lula Calixto. Apesar do encanto que esse grupo produziu nos espectadores, desde que passou a integrar festivais de música popular - seja em Recife, São Paulo, Rio de Janeiro ou Europa - a realidade cotidiana dos seus brincantes não mudou muito.

A sinceridade da cantora, compositora e produtora do grupo dá o atestado: "não temos nada para comemorar, infelizmente. A gente segura essa onda por que é corajoso e se deixar de fazer não vão mais acreditar no grupo, vamos perder força", diz Irã. Ela conta que esse ano (até o fechamento desta edição), nem a Fundarpe nem a Chesf (parceiros nos anos anteriores) haviam confirmado apoio para o Festival Lula Calixto. Mas vai acontecer com a presença em peso da população arcoverdense e cidades vizinhas. "O festival cresceu muito, agora não podemos mais deixar que acabe", diz Irã.

Gentilmente copiado da coluna Viver, do Diário de Pernambuco

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

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Desafio de reviver o mestre - Luiz Gonzaga
Matéria publicada no Jornal do Commercio em 10.11.09


Após vasta pesquisa, o diretor Breno Silveira fecha o roteiro do filme que vai se chamar Gonzaga: de pai para filho

Luís Fernando Moura
lmoura@jc.com.br

Com o longa 2 filhos de Francisco, o cineasta Breno Silveira conquistou uma bilheteria de quase cinco milhões de espectadores, a maior do ano de 2005. Apesar do sucesso, tinha desistido de filmar histórias de personagens reais e perdeu o interesse pela maior parte delas. Carregam uma verossimilhança incabível. “Não gosto muito de cinebiografias em primeira pessoa. Uma ficção não pode ser uma colagem de fatos históricos, isto é um documentário. O cinema precisa de uma trama, de alegrias e tristezas”, afirma.

Luiz Gonzaga fez Silveira voltar atrás na primeira decisão. Em busca do relato de vida de Gonzagão, o cineasta resolveu dar outra chance ao registro biográfico. Para tal feito, iniciou uma pesquisa aprofundada para desvelar os pequenos acontecimentos da trajetória do personagem. Há dois anos, Silveira realiza uma garimpagem que visita livros, familiares, amigos, lugares, personagens aqui e acolá, e confessa: a imensidão de informações - e também o confinamento delas - protelou o fim da busca por todo este tempo.

“Gonzagão é muito maior do que eu imaginava. Achei que, no começo, iria ser um filme fácil de levantar, mas o roteiro continuava sem força dramática. Era muito complicado entrar em contato com os parentes e, cada vez que eu descobria algo novo, me sentia intimidado pelo tamanho de Gonzaga. Finalmente acho que o roteiro chegou num tamanho bacana”, afirma o cineasta. Após esboços de nomes e boatos que, diz, vieram sabe-se lá de onde, a produção tem título definido. Vai se chamar Gonzaga: de pai para filho.

A proposta de Silveira busca a expressão das afetividades familiares, tal qual o fio que conduz a trama de 2 filhos de francisco. Enquanto, neste caso, o pai dos biografados era elo emocional e protagonista eleito, aqui é Gonzaguinha, o filho, que toma as rédeas do olhar sobre o pai. A figura de Gonzaguinha deve catalizar os eventos que norteiam a trama e servir de elo de cumplicidade entre espectador e a história contada.

“Cada história pode ser contada por diversos interlocutores. A principal, e maior, seria a contada pelo próprio Luiz Gonzaga. Mas sei que é impossível esgotar a história de qualquer pessoa, especialmente de Gonzagão, então não quero a pretensão deste relato”, diz o cineasta. “Escolhi o filho pois, assim, temos liberdade poética, e podemos explorar o drama entre o pai que não aceitou bem o filho”, continua.

O filme veio por encomenda ocasional de uma fita K-7. Silveira deu o play e ouviu uma gravação em que, nas suas palavras, Gonzaguinha revelava: “Não conheci meu pai direito e amanhã é o enterro dele”. O arroubo fez o cineasta perceber que o que tinha em mãos se tratava de um “drama muito forte entre duas pessoas muito importantes para o Brasil. Um deles tinha mudado completamente o destino da nossa música”.

A previsão é de que as filmagens sejam realizadas no ano que vem, a fim de que em 2011 o filme seja lançado. O desafio atual, segundo Silveira, é definir as locações e fechar o elenco. “Devo fazer teste de locações no Recife, a partir de julho ou agosto, mas vou demorar a achar um ator que tenha o carisma de Gonzagão, ou mesmo o rosto parecido”, diz. Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo também devem receber as filmagens, que passam pelo município de Exu, onde nasceu Luiz Gonzaga. O orçamento não está fechado, mas o roteiro recebeu prêmio do BNDES. A Columbia Pictures tem participação no projeto.

Apesar de ter nascido em Brasília, Silveira tem ascendência pernambucana. Costumava passar as férias no sítio do avô, em Carpina. “Meu avô também se chama Breno e me levava para a feira de Caruaru, onde eu conheci a obra de Gonzaga. Eles tinham sido amigos. Às vezes, acho que estou percorrendo algo que me marcou na infância”.

Link:
http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/11/10/not_354227.php

Matéria Vinculada:

MUSEU DO GONZAGÃO AINDA ESTÁ EM DISCUSSÃO
Publicado em 10.11.2009

Da Redação, com agências


A construção de um museu e complexo cultural dedicado à obra e à história de Luiz Gonzaga no Recife continua ainda em discussão no âmbito do Ministério da Cultura. Um dos entusiastas da ideia é o pernambucanos mais ilustre no poder: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estimulou a iniciativa e cobrou um projeto urgente ao governador Eduardo Campos e ao ministro da Cultura, Juca Ferreira.

A estimativa extra-oficial é de que o governo poderia investir até R$ 25 milhões no complexo, que seguiria a linha de museus interativos, como o da Língua Portuguesa e o Museu do Futebol, em São Paulo. “Queremos fazer um grande museu com novas tecnologias”, diz Juca Ferreira. O Museu do Gonzagão deverá seguir a política do MinC de investir na diversidade cultural no país. “Queremos construir grandes equipamentos culturais fora do eixo Rio-São Paulo”, complementa o ministro.

O projeto, que tem como base texto propositivo do antropólogo Antônio Risério, deve ser realizado pelo governo federal em esquema de parceria com o governo de Pernambuco. A data para a apresentação do projeto e início das obras ainda não está definida, assim como os responsáveis pelo desenvolvimento da concepção arquitetônica. Juca Ferreira diz esperar resolver a questão ainda neste mês. A presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Luciana Azevedo, foi contactada pela reportagem, mas somente ficou de se pronunciar hoje sobre o projeto, segundo sua assessoria.

Pernambuco já tem dois equipamentos culturais dedicados à Luiz Gonzaga. O Parque Aza Branca, em Exu, onde nasceu o Rei do Baião, estava precisando de reparos urgentes no telhado, que corria o risco de desabar. A Fundarpe assinou um convênio com a ONG que o administra para fazer um levantamento do acervo e das necessidades de obras físicas. No Recife, fica o Memorial Luiz Gonzaga, no Pátio de São Pedro, que mantém cursos e promove eventos, mas dispõe de poucos recursos da Prefeitura.

Link:
http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/11/10/not_354228.php

Publicado por
Jonara Medeiros

Gentilmente copiado do
site do MinC
Imagem: Reprodução

Este blog recomenda: 2º Pajeú em Poesia

(Clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Luiz Gonzaga - Ministro quer museu dedicado ao artista em Recife


Publicado originalmente no site do MinC em 09 de novembro de 2009

Folha de S. Paulo - SP, em 08/11/2009


Está em processo de discussão a construção de um museu e complexo cultural em Recife, dedicado à obra e à história de Luiz Gonzaga. Segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a ideia já foi levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estimulou a iniciativa.
O projeto, que tem como base texto propositivo do antropólogo Antônio Risério, deve ser realizado pelo governo federal em esquema de parceria com o governo do Estado de Pernambuco. O complexo segue a linha de museus “interativos”, como o da Língua Portuguesa, em São Paulo.
“Queremos fazer um grande museu com novas tecnologias”, diz Juca Ferreira. Segundo o ministro, o projeto segue a proposta do MinC de investir na Diversidade Cultural no país. “Queremos construir grandes equipamentos culturais fora do eixo Rio-São Paulo.”
A data para a apresentação do projeto e início das obras ainda não está definida, assim como os responsáveis pelo desenvolvimento da concepção arquitetônica. O ministro diz esperar resolver a questão ainda neste mês.
Para Juca Ferreira, “Luiz Gonzaga é um dos três nomes mais importantes na história da música brasileira. Ele deu sonoridade para todo um ambiente cultural e influenciou toda uma geração de músicos, de Gilberto Gil a Lenine”. (JO e MP)


Colaborou Marcos Grinspum

Publicado por Comunicação Social/MinC
Imagem: Reprodução

Feira livre de Serra Talhada recebe o projeto Cultura Viva na Feira

Apresentações culturais e comidas típicas marcam as atividades do Ponto de Cultura Artes do Cangaço
Joana Perrusi

Quem conhece uma feira livre sabe a diversidade de cores, cheiros e gostos. Isso porque a variedade do que se oferece é muito grande, abrigando uma infinidade de comidinhas. Pensando em encher o bucho de quem vai pra feira de Serra Talhada.
O Ponto de Cultura Artes do Cangaço convida quem tem fome de cultura para dar uma paradinha na área de alimentação da feira de Serra Talhada para comer um saboroso arroz vermelho com carne de bode, buchada, rubacão, caldo de mocotó, tomando uma lapadas de raizada, caldinho, tripa assada, munguzá salgado e muita conversa de matuto...Enquanto saboreia essas especiarias regionais o público pode curtir o projeto Cultura Viva na Feira, que conta com várias apresentações de grupos musicais.
Veja a programação:

GRUPO DE XAXADO ALPERCATA DE RABICHO
GRUPO DE DANÇAS GILVAN SANTOS
CONEXÃO HIP HOP
GRUPO DE DANÇAS POPULARES BOM JESUS
GRUPO DE DANÇAS MANOEL MESSIAS
QUINTETO CABRAS DE LAMPIÃO

E ainda sobra espaço para a Exposição de Fotografias do Cangaço, além de um estande com cordéis e artesanatos produzido pelo Ponto.

Serviço:
Cultura Viva na Feira
Dia 30 de novembro, a partir das 9h
na área de alimentação da feira livre de Serra Talhada

Mais informações
CLIQUE AQUI.

domingo, 8 de novembro de 2009

Alceu Valença brinca com o tempo

No primeiro longa-metragem, o cantor reinventa Lampião e Maria Bonita, que observam o mundo através de uma luneta roubada do Diabo
Por Júlio Cavani
Extraído do Diário de Pernambuco
Alceu Valença criou seu próprio método de fazer cinema quando decidiu dirigir o primeiro longa-metragem, A luneta do tempo, cujas filmagens começam nesta segunda-feira, no interior de Pernambuco, nos municípios de São Bento do Una, Pesqueira e arredores. Sua preocupação com a musicalidade é tão grande que ele resolveu, antes de começar a filmar, gravar em áudio o roteiro inteiro. Antes das imagens, portanto, Alceu já preparou o som. É como se ele tivesse feito um storyboard sonoro, formado por todos os diálogos, músicas e alguns efeitos de cena.
"Esse filme é uma ode à cultura nordestina e sobretudo pernambucana. Estou fazendo um inventário, um memorial dessa ancestralidade, mas tudo dentro da minha visão", anuncia o cantor. "Minha visão de cangaço, neste filme, é totalmente diferente de tudo. Vou mostrar Lampião e Maria Bonita depois de mortos", antecipa. O casal de cangaceiros será vivido pelos atores pernambucanos Irandhir Santos (Besouro) e Hermila Guedes (O céu deSuely). Depois de irem do céu ao inferno, Lampião e Maria vivem em uma dimensão paralela, de onde observam o mundo através de uma luneta que foi roubada do Diabo. "Eles observam a história de trás pra frente e de frente pra trás e assistem até a queda das torres gêmeas", ilustra o agora cineasta.O próprio Alceu Valença, que nasceu em São Bento do Una, também está no elenco. Ele interpreta um diretor de cinema que também volta à sua cidade natal para filmar uma história de amor e vingança. Entre os personagens "do filme que existe dentro do filme" estão o dono de um circo, um tenente e um cangaceiro. O artista circense se envolve com a mulher dos dois inimigos e tem filhos com elas sem que os maridos cornos saibam. A verdade é revelada quando os meninos crescem, em uma cena cheia de alegorias que se passa em pleno picadeiro, durante a encenação de uma peça. Os fantasmas de Lampião e Maria Bonita assistem a tudo enquanto circulam entre os personagens sem serem vistos.Alceu escolheu a vila de Cimbres, em Pesqueira, que está mais preservada, para representar a São Bento de antigamente, em uma reconstituição em parte baseada nas suas memórias de infância. "Comecei a pensar nesse filme depois da morte de meu pai", conta o artista. Alceu se mudou para o Recife quando era criança, foi para o Rio de Janeiro depois de adulto e sempre voltou ao interior, mas nunca mais tinha passado uma temporada tão grande quanto a que vai enfrentar durante as filmagens ("inventei esse filme pra voltar pra cá")."Meu filme é filosófico e está acima dessas discussões sobre o cangaço. Não importa se os cangaceiros eram vilões ou heróis. O roteiro versa sobre o sentido do tempo. É uma tragédia da condição humana. Lampião se questiona sobre o que é a morte e a vida, sobre o que é Deus e o que é a lua", reflete Alceu. "A primeira cena se passa em uma feira de antigamente. Aí você vai ver toda a nossa cultura pungente, viva, brasileira, nordestina, mediterrânea, portuguesa, lusitana, africana, ameríndia..."Além de já ter gravado tudo, Alceu, que escreveu todo o roteiro com diálogos em versos rimados, sabe decoradas as falas dos personagens. "O poder é irmão da polícia que é prima carnal do estado e cega como a justiça", recita para exemplificar um dos trechos.Além de Irandhir e Hermila, estão no elenco Servilio Holanda, Emanuel Cavalcanti, Tito Lívio, Jones Melo, o músico e dançarino Hélder Vasconcelos, o cantor Charles Teony, o rabequeiro Gustavo Azevedo, a cantora Khryztal, os sanfoneiros Ari de Arimatéa, André Julião e Mardônio, o equilibrista Diabolin, o palhaço Borica Trindade, três filhos de Alceu Valença e mais amigos que ele recruta pelo caminho. A direção de arte é de Moacyr Gramacho (Deserto feliz) e a fotografia de Luis Abramo (Eliana em O segredo dos golfinhos). Segundo o cantor, "minha obra musical sempre foi muito cinematográfica na medida em que eu descrevo coisas nas canções que são puro cinema. Tem até cenas em câmera lenta..."
Fonte: Diário de Pernambuco