sábado, 4 de julho de 2009

ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A 3ª ETAPA DO FESTIVAL DE MICRO-METRAGENS CEL.U.CINE!

As inscrições vão até o dia 27/07 - O tema da nova etapa é: "De Arrepiar"
Estão abertas desde o dia 27/06 as inscrições para a nova etapa do Cel.U.Cine, um festival de micro-metragens que promove a produção, difusão e segmentação de conteúdos audiovisuais para mídia celular.
O Cel.U.Cine visa incentivar a produção, onde os novos realizadores devem elaborar os melhores roteiros e produzir imagens criativas, capazes de gerar uma promissora safra de micrometragens – filmes brasileiros de até 3 minutos feitos para celulares a partir de tecnologias digitais como aparelhos celulares, câmeras e mini-DV.
O Cel.U.Cine quer oferecer a qualquer pessoa a oportunidade e o estímulo para se expressar. A iniciativa também busca consolidar a potencialidade do cinema e o alcance das novas mídias de comunicação relacionadas com a sétima arte.
Criado em 2008, o festival toma como plataforma a telefonia celular para a sua realização, e é neste formato que está sua origem. O festival é um ambiente que visa contemplar conteúdos pensados para a mídia celular, tendo como base o uso das tecnologias digitais, em constante transformação.
O regulamento do festival tem como base a abertura de inscrições temáticas seguindo um calendário de festivais pré-selecionados.
Os micrometragens deverão ser inéditos em qualquer mídia e realizados a partir da temática apresentada pelo Cel.U.Cine.
Poderão participar filmes gravados exclusivamente em tecnologia digital; ou seja, câmeras de celulares, câmeras fotográficas digitais ou câmeras mini-dv, cuja destinação final seja a exibição em aparelhos móveis.
As inscrições podem ser feitas no site do festival:
http://www.celucine.com.br/index.php.
Os micrometragens deverão ser inéditos em qualquer mídia e podem ser enviados nos formatos AVI, 3GP, MPEG4 e WMV, com resolução mínima de 320x240 e máximo de 1024x780, com tamanho máximo de 5MB.
Serão escolhidos 05 (cinco) produções semifinalistas as quais concorrerão à premiação final, seguidas de uma grande final no Festival Internacional de Cinema do Rio.
Os três primeiros colocados concorrem a prêmios de 10 mil, 7 mil e 5 mil reais.
O resultado da 3ª etapa de Cel.U.Cine será divulgado durante o Festival Brasileiro de Cinema Universitário, dia 09 de agosto
Saiba mais no site:
http://www.celucine.com.br/index.php

Fonte:
http://www.celucine.com.br/index.php

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sonora Brasil em Triunfo

Sonora Brasil destaca o Violão Brasileiro em sua 12ª edição
Violonista pernambucano Henrique Annes é uma das atrações do projeto nacional

O Sonora Brasil é realizado em 4 etapas, com circulação de concertos por mais de 80 cidades brasileiras. Em cada etapa, dois violonistas brasileiros, um de cada região do Brasil, circularão por todo o país com um repertório de música concebida e escrita para violão. Em julho, o Sesc Pernambuco traz para o Estado a primeira etapa do projeto, O Violão nas Regiões Nordeste e Sul, na qual se apresentam os músicos Daniel Wolff, do Rio Grande do Sul, que é o primeiro doutor em violão do Brasil e vencedor de importantes concursos nacionais e internacionais; e João Pedro Borges, do Maranhão, que entre outras coisas foi pioneiro, como solista, do disco independente, gravando seu primeiro LP com obras de Bach, Barrios e Villa-Lobos. As apresentações da primeira etapa acontecerão durante todo o mês de julho e circularão por 14 cidades de Pernambuco com concertos sempre às 20h e entrada franca. No dia 15 de julho acontecerá o primeiro concerto, que será no Recife, no teatro Capiba, no bairro de Casa Amarela. Em seguida os músicos se apresentam em Jaboatão dos Guararapes, no Sesc Piedade (16); em São Lourenço da Mata (18); Surubim (19); Garanhuns (20); Belo Jardim (21); Caruaru (22); Arcoverde (23); Buíque (24); Triunfo (25); Araripina (27); Bodocó (28); Ouricuri (29); e encerram a turnê em Pernambuco com uma apresentação em Petrolina, no Teatro do Sesc (30). No dia 17 de julho, a Orquestra grava faixas para o CD do projeto Sonora Brasil no Centro de Difusão e Realizações Musicais do Sesc Casa Amarela.
O projeto Sonora Brasil 2009, de formação de ouvintes musicais realizado pelo Sesc Nacional em parceria com os Regionais, que chega a sua décima segunda edição, tem como tema este ano Violão Brasileiro. Um panorama da obra violonística desenvolvida no país nas últimas décadas será apresentado pelo projeto. Serão realizados concertos com oito violonistas intérpretes da obra de compositores das cinco regiões do Brasil. Entre eles está o pernambucano Henrique Annes, que irá se apresentar na 2ª etapa do projeto. Esta é uma ação do Sesc para promover concertos em todo o país com o objetivo de resgatar e difundir a história da música no Brasil.
FONTE: Sesc - Serviço Social do Comércio

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PERNAMBUCO FAZ BONITO NO 22º PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA

Cerimônia aconteceu na noite desta quarta (1), no Canecão, no Rio e homenageou a inesquecível Clara Nunes.O 22o Prêmio da Música Brasileira – o antigo Prêmio Tim – Reuniu uma constelação de artistas nacionais na noite desta quarta-feira (1), no Canecão, no Rio.
Pernambuco brilhou como sempre através dos artistas que nos representaram nesta festa tão
importante para a nossa música.
Destaques para: Spok Frevo Orquestra que dominou a categoria instrumental com os prêmios de melhor disco: “Passo de anjo ao vivo”, e melhor grupo. O cantor Lenine saiu duplamente vitorioso, conquistando dois troféus na categoria Pop/Rock: o de melhor disco ('Labiata') e também como melhor cantor.
Na categoria regional o prêmio de melhor grupo ficou com os jovens recifenses do Fim de feira.
Já a pernambucana Zabé da Loca, de 85 anos que toca pífano e viveu por quase três décadas numa gruta na Paraíba, foi eleita a revelação do ano pelos jurados do Prêmio da Música Brasileira.
Confira abaixo a lista completa dos premiados:
POP/ROCK
Melhor disco: “Labiata”, Lenine
Melhor cantor: Lenine
Melhor cantora: Paula Toller
Melhor grupo: Bangalafumenga
MPB
Melhor disco: “Novas bossas”, de Milton Nascimento e Jobim Trio
Melhor cantor: Milton Nascimento
Melhor cantora: Áurea Martins
Melhor grupo: Pedro Luís e a Parede
ELETRÔNICO
Melhor disco: “I real”, DJ Dolores
CANÇÃO
Melhor canção: “Uma prova de amor” (de Nelson Rufino e Toninho Geraes), Zeca
Pagodinho

REVELAÇÃO
Artista: Zabé da Loca
DVD
Melhor lançamento: “Prosqueestãoemcasa”, Toni Platão
LÍNGUA ESTRANGEIRA
Melhor disco: “My baby just cares for me”, Delicatessen
ERUDITO
Melhor disco: “Heitor Villa-Lobos n2,3, 10, 12”, Orquestra Sinfônica de São Paulo
INFANTIL
Melhor disco: “Carnaval palavra cantada”, Sandra Peres e Paulo Tatit
PROJETO ESPECIAL
Melhor disco: “Omara Portuondo e Maria Bethânia”, Omara Portuondo e Maria Bethânia
SAMBA
Melhor disco: “Uma prova de amor”, Zeca Pagodinho
Melhor cantor: Zeca Pagodinho
Melhor cantora: Leci Brandão
Melhor grupo: Fundo de quintal
REGIONAL
Melhor disco: “Francisco forró y frevo”, Chico César
Melhor cantor: Chico César
Melhor cantora: Renata Rosa
Melhor grupo: Fim de feira
Melhor dupla: Chitãozinho & Xororó
INSTRUMENTAL
Melhor disco: “Passo de anjo ao vivo”, Spok Frevo Orquestra
Melhor solista: Hamilton de Holanda
Melhor grupo: Spok Frevo Orquestra

POPULAR
Melhor disco: "Confete e serpentina", Maria Alcina
Melhor cantor: Zé Renato
Melhor cantora: Maria Alcina
Melhor grupo: Doces Cariocas
Melhor dupla: Zezé di Camargo & Luciano
ARRANJADOR
"E a música de Tom Jobim", Jaques Morelenbaum

PROJETO VISUAL
Artista: "Francisco forró y frevo", Chico César

Extraído de: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1215549-7084,00.html
Foto: (Foto: Alexandre Durão/G1)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

REPOSTAGENS BTB – O QUE FEZ BOOM EM JUNHO!


O BTB trará sempre no primeiro dia de cada mês os links das principais postagens publicadas no mês que se encerra, para que nossos leitores possam estar sempre ligados no que se passa no mundo do BOOM.
É só clicar nos títulos que você será encaminhado diretamente para a página escolhida.

Isaias Lima 119 Anos

São José do Belmonte e o Sebastianismo

Fundarpe Abre Editais De Serviço

Sesc Triunfo Começa A Debater Propostas Do Projeto Natal Triunfo 2009

Mais De R$ 14 Mi Serão Repassados Para 81 Pontos De Cultura No Estado

Fabricio Ramos No Quadro Garagem Do Faustão

"Boom, Triunfo, Boom!" Invade O Ninho Do Passarinho Azul

Ruy de Moraes e Silva

Questão Ambiental

Luto // Maestro Raul de Barros morre aos 93 anos

Olhando de Perto, Triunfo É Muito Mais Que Caretas

13 De Junho – Triunfo 125 Anos!

Boom, Triunfo, Boom ! - Um Ano De Resistência

80 Anos De Conquistas! - Parabéns Escola Alfredo De Carvalho

"Boom, Triunfo, Boom!", Ganha Comunidade No Orkut

U.T.E. – Tentativa Frustrada

Divulgadas Atrações Da 19ª Edição Do Fig Com 30 Dias De Antecedência

Fundarpe Divulga Selecionados Para O 2° Festival De Cinema De Triunfo

Instalada Em Triunfo A “Icas” – Igreja Católica Apostólica Sertaneja

Triunfo Ganha Mais Um Blog

Uma Visita E Tanto!

A Triste Realidade Da Educação Brasileira

Talentos Que Deixamos Escapar

Porto Musical - Nelson Motta Diz Que 90% Da Música Brasileira 'É Porcaria'

Viva São João (*)

Por E-Mail - Uma Preciosa Colaboração Do Músico Aliomar Ferraz

I Seminário Cariri Cangaço

Programação Cultural Da 10° Fenearte

Um Pouco Da Poesia De Rogaciano Leite

Quem foi Rogaciano Leite?

Rogaciano Leite

terça-feira, 30 de junho de 2009

Rogaciano Leite

Por André Vasconcelos

O pesquisador Meca Moreno diz que o Sertão do Pajeú unido a região do Cariri Paraibano se constitui num verdadeiro celeiro de poetas, cantadores e repentistas. É realmente o “Vale dos Poetas”. Lourival, Otacílio e Dimas Batista, Pinto do Monteiro (a “Cascavel do Sertão), Zé Marcolino, Cancão, Jó Patriota, Manoel Xudú, Antônio Pereira (o “Poeta da Saudade”), Antônio Marinho, Manoel Filó... impossível citar todos. É muita riqueza para uma região só.
Entre tantos gigantes, homens de talento, sensibilidade, inteligência e rapidez de raciocínio que causam espanto e admiração a mim e tantos outros fãs da arte matuta, três foram considerados os “Faraós do Repente”, segundo artigo de Meca Moreno que cita estudo genealógico do professor e apologista José Rabello. São eles: Antônio Marinho – a “Águia do Sertão” ou o “Rei dos Cantadores”; Lourival Batista – o “Rei dos Trocadilhos” e Rogaciano Leite. Mas na poesia, não posso esquecer de Patativa do Assaré e lá para o interior de São Paulo também não devo olvidar de João Pacífico – para mim o maior poeta da música caipira, na qual tem em Inezita Barroso a sua incansável divulgadora e defensora da sua preservação. Mas, se no Sudeste do Brasil tenho essa paixão pela obra de João Pacífico, um em especial aqui no Pajeú é o meu predileto. Se Deus tivesse me dado o dom de ser poeta eu queria ser o autor das poesias de Rogaciano Leite. De todos, a mim é o que mais encanta por sua sensibilidade. Seus sonetos, enfim, toda sua poesia é de uma beleza ímpar. Se vivo fosse estaria completando 89 anos. Nasceu a 30 de junho de 1920 (alguns afirmam a 1º de julho) no sítio Cacimba Nova, vila de Umburanas (hoje município de Itapetim), aquela época pertencente à São José do Egito. Rogaciano foi poeta, escritor, jornalista e boêmio. Discípulo de Pinto do Monteiro, foi também um ótimo orador e como jornalista chegou a ganhar um prêmio Esso de Jornalismo. Teve como parceiro o cantor Sílvio Caldas que gravou sua canção “Cabelos Cor de Prata”. Além do Rio de Janeiro morou muito tempo em Fortaleza, cidade pela qual se apaixonou. O poeta e estudioso de poesia popular Ésio Rafael nos conta que “...viajando para a Europa, como componente de uma caravana sob a tutela de - Assis Chateaubriand, Embaixador do Brasil em Londres, cujo destino era uma festa em um Castelo das Ilhas Britânicas, Rogaciano se apaixonou por uma francesinha, por isso, o Pajeú, o Ceará e o Brasil, ganharam mais poesias. O homem escreveu 100 sonetos dedicados a essa mulher (100 sonetos para Ane).” Sorte nossa! Rogaciano é um dos orgulhos do “Vale dos Poetas”; brilhante, eterno, uma estrela especial na constelação do Pajeú. Viva a poesia matuta, arte de um povo!

Quem foi Rogaciano Leite?

Rogaciano Bezerra Leite (Itapetim, sítio Cacimba Nova, 1 de julho de 1920Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1969) foi um poeta brasileiro.
Filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, iniciou a carreira de poeta-violeiro aos 15 anos de idade, quando desafiou, na cidade paraibana de
Patos, o cantador Amaro Bernadino.
Em seguida, Rogaciano Leite foi para o
Rio Grande do Norte, onde conheceu e iniciou amizade com o renomado poeta recifense Manuel Bandeira. Aos 23 anos de idade mudou-se para Caruaru, no agreste pernambucano, onde apresentou um programa diário de rádio. De Caruaru, seguiu para Fortaleza, onde tornou-se bancário.
Entre
1950 e 1955, Rogaciano residiu nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. No Rio casou-se com Maria José Ramos Cavalcante, com quem teve os filhos Rogaciano Filho, Anita Garibaldi, Roberto Lincoln, Helena Roraima, Rosana Cristina e Ricardo Wagner.
Em
1968 deixou o Brasil para uma temporada na França e outros países da Europa. Na Rússia deixou gravado, em monumento na Praça de Moscou, o poema Os Trabalhadores.
Alguns dos poemas mais conhecidos de Rogaciano Leite são Acorda Castro Alves, Dois de Dezembro, Poemas escolhidos, Carne e Alma, Os Trabalhadores e "Eulália. Rogaciano faleceu, de
enfarte do miocárdio, no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. O corpo do poeta está sepultado no cemitério São João Batista, em Fortaleza, Ceará.
Rogaciano Leite foi, ainda, jornalista e era formado em Direito e Letras.
Em dezembro de 2007 foi lançado em pernambuco na cidade de Itapetim pela jornalista Tacianna Lopes o documentário "Reminiscência em Prosa e Versos"; o vídeo conta um pouco da história de Rogaciano Leite. Um trabalho inédito, um curta-metragem de aproximadamente 23 minutos e que conta com a participação de familiares, admiradores e amigos contemporâneos do Poeta, entre eles está o escritor Ariano Suassuna, que junto com Rogaciano na década de 40 foi responsável pela realização do I Congresso de Cantadores Repentistas do Brasil. Publicou o livro
“Carne e Alma”, Irmãos Pongetti Editores, Rio de Janeiro, 1950, com prefácio de Luís da Câmara Cascudo.
Fonte:

Um pouco da poesia de Rogaciano Leite

Aos Críticos

Senhores críticos basta
Deixai-me passar sem pejo
Que um trovador sertanejo
Vem seu pinho dedilhar
Eu sou da terra onde as almas
São todas de cantadores
Sou do Pajeú das Flores
Tenho razão pra cantar

Não sou um Manuel Bandeira
Drummond ou Jorge de Lima
Não espereis obra-prima
Desse matuto plebeu
Eles cantam suas praias
Palácios de porcelana
Eu canto a roça, a choupana
Eu canto o sertão que é meu.

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Sorrir e Cantar

Quando falas porque vivo rindo
Também falas por viver cantando
Se a vida é bela e esse mundo é lindo
Não há razões pra viver chorando

Cantar é sempre o que a fazer eu ando
Sorrir é sempre o meu prazer infíndo
Se canto e rio, é porque vivo amando
se amo e canto e porque vivo rindo

Se o pranto morre quando nasce o canto
Eu canto e rio pra matar o pranto
E gosto muito de quem canta e rí

Logo bem vês por esses dotes meus
Que quando canto estou pensando em Deus
E quando rio estou pensando em tí
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Se Voltares

Como o sândalo humilde que perfuma
O ferro do machado que lhe corta,
Hei de ter a minha alma sempre morta,
Mas não me vingarei de coisa alguma.

Se algum dia perdida pela bruma
Resolveres bater a minha porta,
Ao invés da humilhação que desconforta,
Terás um leito sobre um chão de pluma.

Em troca dos desgostos que me destes
Mais carinho terás do que tivestes.
Meus beijos serão multiplicados.

Para os que voltam pelo amor vencidos,
A vingança maior dos ofendidos,
É saber abraçar os humilhados
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Os Flagelados

Deus não viu isto aqui... Não viu.
Não viu que o Diabo
Atou um estopim flamívolo no rabo
E com a mais cruel satânica intenção
Espojou-se no vale, relinchou na serra,
Tirou fogo do sol, fez um vulcão na terra
E correu a ganir, incendiando o sertão!

Eis o quadro infernal: Quentura, céu desnudo,
Horizonte sem fim, desolação em tudo;
As pedras a piscar no solo calcinado,
Nenhuma folha verde a sequidão reveste
E desde o litoral aos carrascais do agreste
A terra é como um fogo imenso, escancarado.

Exauriram-se as fontes, tudo é seco: os rios
Com leito estorricado, ao longo dos baixios,
Enroscam-se no chão num morno caracol;
As árvores em pé, desnudas como espetos,
Apontam para o céu num gesto de esqueletos
Condenados por Deus, queimadas pelo sol.

O ar é um bafo quente, a terra é como brasa.
Nem a sombra volátil trêmula de uma asa
Rasteja a imensidão do campo descoberto:
As aves já morreram... Outras emigraram...
Somente os urubus famélicos ficaram
Ao pé de alguma ossada, ao longo do deserto.

Famintos animais, à margem das estradas,
Cambaleiam mordendo as palmas eriçadas
Dos cactos agressivos, secos, repelentes;
E os gemidos de dor que arrancam das entranhas,
Mal ressoam nos vales, morrem nas montanhas
Como o último sinal dos últimos viventes.

A alma triste das coisas cai no chão de bruços,
Abafando em si mesma os últimos soluços
Que a nação ouve sempre e faz que não percebe;
O retirante num estado miserável
Só tem mesmo na boca o pranto inexorável
E o paladar do sal das lágrimas que bebe.

É o clamor do Nordeste contra a dor que o mata
No drama secular da natureza ingrata,
Mesquinha e vingativa, injusta e sem amor;
É o protesto do fel que lentamente escorre
N’alma de um povo herói que nasce, vive e morre
Com a resignação de ovelhas sem pastor.

“Não chove mais esse ano”, o camponês exclama!
Nem sequer uma nuvem amortece a chama
Do sol que sobre a terra bebe o seu libelo;
Começa a inquietação, a fome, o inferno humano,
Vem o primeiro horror com o derradeiro engano
E com a última esperança o início do flagelo.

Começam a emigrar os bandos desnorteados,
Deixando atrás de si as casas e os roçados
Onde o amor lhes floriu e a crença lhes nasceu;
Tudo ali fica entregue a Deus e ao abandono,
Encarando a saudade, a dor, a alma do dono
Que chora o único bem que agora se perdeu.

“adeus meu açudinho tórrido de sede,
Meu rancho onde jamais os punhos de uma rede
Rangerão a embalar o sono do meu filho;
Jamais nesse terreiro bêbado de lua
Verei minha filhinha descarnada e nua
Que já morreu de fome, à falta de um auxílio!”

Aqui só ficarão os prantos mais sentidos
De quantos vão deixar na solidão, perdidos,
O sepulcro de um filho, os ossos de seus pais...
Mas se a fome é cruel, se Deus nos é tirano,
Fique essa última dor do desespero humano,
Aumentando a desgraça que não finda mais.

Assim falam chorando os nordestinos:
Milhares de mulheres, homem e meninos,
Engrossando as correntes do êxodo rural...
E eles vão, oh meu Deus, nas mesmas circunstâncias
Das bíblicas legiões, outrora nas distâncias
Do deserto sem fim do arábico areal.

Pela estrada poeirenta os batalhões famintos
Desenham com seus pés, confusos labirintos
Que outros pés, a seguir, não tardam a apagar.
É o drama... É o desgraçado drama degradante
Do romeiro rural, do roto retirante
Sem rumo, sem arrimo e sem arranjo, a errar.

Sob o sol causticante, ao longo das estradas,
Em torno aos troncos nus das árvores peladas
Choram homens sem fé, mulheres infelizes,
Criancinhas mirradas, como cães sem dono,
Para iludir a fome e conciliar o sono,
Mordem cascas de pau, succionam raízes.

No olhar de cada mãe desesperada e aflita
Há uma dor que vem d’alma, estúpida, infinita,
Que o coração materno em convulsão retalha,
Por ver exposto ao sol adusto e fumarento
Seu filhinho morrer famélico e sedento,
Sem um pingo de água e sem qualquer migalha!

A tragédia traduz-se atrás de um toco tronco...
E o bando sem bandeira, abandonado e bronco,
Em pós de se prover do que o país promete,
Expõe-se, estaca, estanca, esvai-se, exclama, estua
E cansa e cai e ofega e chora e continua
Na mesma cena atroz que aumenta e se repete.

No silêncio da noite à beira de alguns poços
Onde exala mau cheiro e onde branquejam ossos,
O fantasma da seca faz assombração.
Há um clamor de inocentes, orações de adultos;
E em meio àqueles magros e sedentos vultos
Samaritana alguma estende a mão.

Mal nasce o sol de novo, aqueles desgraçados
Rotos, sujos, famintos, fracos, fatigados,
Recomeçam seu lento e incerto caminhar;
Tendo apenas de seu a consciência medonha
Da humilhação extrema e última vergonha
De andarem como cães, de porta em porta a uivar.

Ai meu Deus, quanto horror, que cena ultra-Dantesca!
Será que pode haver tragédia mais grotesca,
Gente mais desgraçada em condição mais vil?
Não pode não, meu Deus, porque essa caravana
Atingiu os extremos da miséria humana
E esbarrou na maior vergonha do BRASIL.

FONTE:
Interpoética - http://www.interpoetica.com/rogaciano_leite.htm
Luiz Berto - http://www.luizberto.com/?p=41467

segunda-feira, 29 de junho de 2009

PROGRAMAÇÃO CULTURAL DA 10° FENEARTE

Pernambuco recebe de 3 a 12 de julho, no Centro de Convenções a 10ª edição da Fenearte - Feira Nacional de Negócios do Artesanato. Os visitantes da 10° Fenearte poderão conferir uma rica programação cultural.
Programe-se:


03/07 – SEXTA-FEIRA

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE
14h – Maracatu Rural Piaba de Ouro com Bonecos Gigantes
16h – Cavalo Marinho Boi Matuto de Olinda com Pedro Salustiano
17h – Lia de Itamaracá
18h – Família Salustiano e Rabeca Encantada
19h30 – Conservatório de Música (Sagrama)
21h – Maciel Melo

MEZANINO
17h – Mamulengos – O bumba meu boi do capitão boca mole
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

04/07 – SÁBADO

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE
16h – Balé afro Magê Molê
17h – Sociedade Musical 25 de Setembro de Limoeiro
18h – Bia Marinho
19h30 – Chá de Zabumba
21h – Território Nordestino

MEZANINO
17h – Mamulengos – Era uma vez
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

05/07 – DOMINGO

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE
16h – papangu de Bezerros
17h – Serenata Luar de Olinda
18h – Orquestra 100% Mulher
19h30 – Irah caldeira
21h – Josildo Sá

MEZANINO
17h – Mamulengos – Rapunzel à brasileira
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

06/07 – SEGUNDA-FEIRA

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE
16h – Ciranda de Baracho
18h – Grupo de Dança Ooya Dmanedwa – Tribo Fulni-ô
19h30 – Maripueira
21h – Banda Fim de Feira

MEZANINO
17h – Mamulengos – SOS ecologia
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

07/07 – TERÇA-FEIRA

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE

16h – Maracatu Nação de Luanda
18h – Côco de umbigada – sambada de côco
19h30 – Jorge Neto
21h – Rogério Rangel

MEZANINO
17h – Mamulengos – Polichinelo e seus convidados
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

08/07 – QUARTA-FEIRA

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE
16h – Reisado Imperial
18h – Aurora Africao – meninos internos FUNASE / Tocando do Meu Jeito – crianças com deficiência FUNASE
19h30 – Grupo Romançal
21h – Jorge de Altinho

MEZANINO
17h – Mamulengos – Torturas de um coração – texto de Ariano Suassuna
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

09/07 – QUINTA-FEIRA

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE
16h – Trio Pé de Serra – Mandacaru
18h – Banda CERVAC – Força Especial
19h30 – Sonoris Fábrica
21h – Nádia Maia

MEZANINO
17h – Mamulengos – Torturas de um coração – texto de Ariano Suassuna
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

10/07 – SEXTA-FEIRA

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE

16h – Banda de Pífano Tradição de Caruaru
18h – João do Pife
19h30 – Arlindo dos 8 Baixos
21h – Cristina Amaral

MEZANINO
17h – Mamulengos – O amigo da onça
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

11/07 – SÁBADO

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE

16h – Bloco Flor de Eucalípto
17h – Grupo de Teatro Intergrarte – “Intergrarte 10 Anos”
18h – Mazurca Agrestina de Zé Petrinho
19h30 – Jorge Silva do Recife
21h – Roberto Lins

MEZANINO
17h Mamulengos – Cartola Encantada
18h às 20h Oficinas e apresentações de circo

11/07 – DOMINGO

PRAÇA MARINÊS E SUA GENTE

16h - Bloco da Saudade
17h - Orquestra Criança Cidadã do Coque
18h - Em Canto e Poesia
19h30 - Gean Mota
21h - Petrúcio Amorim

MEZANINO
17h – Mamulengos – Histórias do Babau
18h às 20h – Oficinas e apresentações de circo

Fonte:
http://www.curtpe.com/2009/06/programacao-cultural-da-10°-fenearte/

domingo, 28 de junho de 2009

I SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO

I SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO
De 22 a 26 de Setembro de 2009
Crato, Juazeiro e Barbalha
Ceará - Brasil.

O Cariri cearense, a partir das cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha; irá receber no mês de setembro de 2009, o I Seminário Cariri Cangaço. Pesquisadores, historiadores, escritores, documentaristas e cineastas, estarão no triângulo do Crajubar, discutindo um dos fenômenos mais controversos da história do nordeste brasileiro e suas implicações e ligações com a história de nossa gente.
O encontro se realizará nas três principais cidades do cariri cearense, com palestras, discussões, estudo do tema, oficinas, apresentações artístico-culturais e visitas técnicas aos principais cenários da história cangaceira no Cariri e no estado no Ceará, se configurando como uma das maiores mesas de debates itinerante do país sobre o fenômeno Cangaço.
O evento, capitaneado pela SBEC e os três principais municípios do Cariri está sendo construído por equipes de trabalho, formadas pelas três prefeituras e em conjunto com a Universidade Regional do Cariri – URCA, Instituto Cultural do Cariri – ICC, grupo técnico da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC e do Instituto Cultural Lusófono - ICL; trabalham firme na realização do maior evento do gênero, já realizado no país, e contam com o apoio do ICVC – Instituto Cultural do Vale do Cariri e do Instituto Pró-Memória.
Duas noites em Crato, duas noites em Juazeiro do Norte e uma noite em Barbalha marcarão as discussões; durante o dia a organização do evento programa visitas técnicas a vários sítios históricos do cangaço na região: a exemplo da fazenda Serra do Mato, Fazenda Piçarra, a Fonte da Pendência, a Fazenda Guaribas, além de todos os locais, palcos da famosa e polemica visita de Virgulino Ferreira, o Lampião; a Juazeiro do Norte, Barbalha, Jardim, Jati, Porteiras e Missão Velha.
Teremos ainda uma intensa agenda de visitas aos principais pontos turísticos do Cariri, como o Memorial de Patativa do Assaré, o Memorial do Homem Cariri – Casa Grande em Nova Olinda; o Memorial, o Horto e a casa de Padre Cícero; o Sítio Histórico do Caldeirão do Deserto do Beato Zé Lourenço, além de visitas ao Centro de Artesanato Mestre Noza, à Lira Nordestina, ao Museu de Fósseis de Santana e à Oficina de Expedito Celeiro, um dos maiores artesãos em couro de todo o Nordeste.
Será realizado o maior concurso de redação da região, inédito por reunir alunos dos três municípios, sob o tema: Lampião no Ceará – Verdades e Mentiras; os vencedores além de terem suas redações apresentadas durante o evento terão as mesmas, incluídas na publicação de um livro contendo os anais do evento.
Durante o Cariri Cangaço estão programadas oficinas de Cordel, Xilogravura, Xaxado e ainda oficina de criação e produção de curta-metragem.
A Universidade Regional do Cariri – URCA através do IMAGO, promoverá uma grande mostra de documentários, curtas e longas-metragens sobre o tema cangaço, além de coordenar o recebimento e análise de trabalhos acadêmicos que estarão sendo propostos para um grande painel sobre o assunto; e o Instituto Cultural do Cariri – ICC promoverá uma grande exposição de livros e revistas, como também uma exposição do acervo do grande escritor, radicado em Crato, Hilário Lucetti, já o Instituo Cultural Lusófono promoverá uma exposição sobre a manifestação cultural portuguesa dos "Caretos", berço dos conhecidos "Caretas" nordestinos, além de um Tributo a Zé do Telhado (famoso bandoleiro português).
O evento terá também a LATADA DE LIVROS, espaço para lançamentos, exposição e comercialização de obras relacionadas à temática.
Já são presenças confirmadas no I Seminário Cariri Cangaço: Pesquisador e Escritor Antônio Amaury Correa de Araújo, Professor Lemuel Rodrigues Silva, Dr. Honório de Medeiros, Poeta Kydelmir Dantas, Escritor Paulo Gastão, Escritor e Poeta José Peixoto Junior, Escritor Ângelo Osmiro, Documentarista Aderbal Nogueira, Dr. Carlos Elydio Araujo, Escritor Iaperi Araújo, Dr. Napoleão Tavares Neves, Dr. Magérbio de Lucena, Dr. Leandro Cardoso Fernandes, Historiador Daniel Walker, Escritor João de Sousa Lima, Escritor Antônio Vilela, Dr. Assis Timóteo, Comendador Francisco Mariano, Escritor Anildomá Willians, Professor Francisco Pereira, Escritora Vilma Maciel, Cineasta Wolney Oliveira, Dr. Carlos Eduardo Gomes, Professor Jairo Luis, Escritora Célia Magalhães, Dr. Sérgio Dantas, Historiador Armando Rafael, Dr. Ivanildo Silveira, Escritor e Poeta Paulo Moura, Cineastra Wilton Dedê, Escritor Cicinato Ferreira Neto, Dra. Francisca Gomes, Historiadora Diana Lopes, Cineasta Jackson Bantim, Dr. Múcio Procópio, Dr. Inácio de Loyola, Professor José Carlos Cacau; dentre outros.
Ainda no ano de 2009, no mês de Dezembro o CARIRI CANGAÇO estará promovendo o lançamento do DVD CARIRI CANÇADO, documentário produzido pela Laser Vídeo, contendo o desenvolvimento de todo o evento, com as palestras, depoimentos, visitas técnicas e as apresentações artístico-culturais, como também apresentando os municípios parceiros, teremos também o lançamento do Livro CARIRI CANGAÇO, contendo os anais do evento.
O CARIRI CANGAÇO também contará com o vital apoio do SEBRAE, SESC E BNB CULTURAL.

Curadoria e Coordenação Geral: Manoel Severo Gurgel Barbosa.