terça-feira, 30 de junho de 2009

Rogaciano Leite

Por André Vasconcelos

O pesquisador Meca Moreno diz que o Sertão do Pajeú unido a região do Cariri Paraibano se constitui num verdadeiro celeiro de poetas, cantadores e repentistas. É realmente o “Vale dos Poetas”. Lourival, Otacílio e Dimas Batista, Pinto do Monteiro (a “Cascavel do Sertão), Zé Marcolino, Cancão, Jó Patriota, Manoel Xudú, Antônio Pereira (o “Poeta da Saudade”), Antônio Marinho, Manoel Filó... impossível citar todos. É muita riqueza para uma região só.
Entre tantos gigantes, homens de talento, sensibilidade, inteligência e rapidez de raciocínio que causam espanto e admiração a mim e tantos outros fãs da arte matuta, três foram considerados os “Faraós do Repente”, segundo artigo de Meca Moreno que cita estudo genealógico do professor e apologista José Rabello. São eles: Antônio Marinho – a “Águia do Sertão” ou o “Rei dos Cantadores”; Lourival Batista – o “Rei dos Trocadilhos” e Rogaciano Leite. Mas na poesia, não posso esquecer de Patativa do Assaré e lá para o interior de São Paulo também não devo olvidar de João Pacífico – para mim o maior poeta da música caipira, na qual tem em Inezita Barroso a sua incansável divulgadora e defensora da sua preservação. Mas, se no Sudeste do Brasil tenho essa paixão pela obra de João Pacífico, um em especial aqui no Pajeú é o meu predileto. Se Deus tivesse me dado o dom de ser poeta eu queria ser o autor das poesias de Rogaciano Leite. De todos, a mim é o que mais encanta por sua sensibilidade. Seus sonetos, enfim, toda sua poesia é de uma beleza ímpar. Se vivo fosse estaria completando 89 anos. Nasceu a 30 de junho de 1920 (alguns afirmam a 1º de julho) no sítio Cacimba Nova, vila de Umburanas (hoje município de Itapetim), aquela época pertencente à São José do Egito. Rogaciano foi poeta, escritor, jornalista e boêmio. Discípulo de Pinto do Monteiro, foi também um ótimo orador e como jornalista chegou a ganhar um prêmio Esso de Jornalismo. Teve como parceiro o cantor Sílvio Caldas que gravou sua canção “Cabelos Cor de Prata”. Além do Rio de Janeiro morou muito tempo em Fortaleza, cidade pela qual se apaixonou. O poeta e estudioso de poesia popular Ésio Rafael nos conta que “...viajando para a Europa, como componente de uma caravana sob a tutela de - Assis Chateaubriand, Embaixador do Brasil em Londres, cujo destino era uma festa em um Castelo das Ilhas Britânicas, Rogaciano se apaixonou por uma francesinha, por isso, o Pajeú, o Ceará e o Brasil, ganharam mais poesias. O homem escreveu 100 sonetos dedicados a essa mulher (100 sonetos para Ane).” Sorte nossa! Rogaciano é um dos orgulhos do “Vale dos Poetas”; brilhante, eterno, uma estrela especial na constelação do Pajeú. Viva a poesia matuta, arte de um povo!

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