sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Luto

Esta semana Triunfo perdeu um dos seus artistas. João Gonçalves Lima, conhecido como João de Agamenon, tinha enorme talento e criatividade – um inventor. Era um poço de idéias. Pessoa de opiniões bem próprias e personalidade forte, João deixou obras expostas na cidade. Me contou o Sr. Benedito Lobo, carinhosamente chamado de Lobinho pelos triunfenses que, quando resolveu doar a estátua do Cristo Redentor à Triunfo, procurou um artista triunfense para realizar o trabalho artístico. Disse que queria a estátua com três metros e meio e João se comprometeu em erguê-la com mais meio metro por sua conta. Essa era sua forma de contribuir. Este relato Lobinho também narra no seu livro “Lobinho conta causos de Triunfo”. Em uma das minhas conversas com João o questionei a respeito do relho dos caretas e ele me esclareceu que antigamente os caretas utilizavam um relho buranhém que é a madeira da qual era feito o cabo do chicote. Disse-me que essa madeira é flexível e me explicou que eu ainda encontraria exemplares desse chicote nos dias de sábado na feira de Princesa Isabel (PB). Cheguei em casa e resolvi consultar o "Aurélio" e achei o seguinte significado para buranhém: palavra tupi; árvore da família das sapotáceas, de bagas carnosas, comestíveis, cuja madeira se usa em carpintaria e marcenaria e cuja casca é adstringente e fornece substância corante. Achei também que é um "brasileirismo" utilizado no Nordeste significando cabo de relho; o relho. Para mim foi uma aula que João me deu naquele dia. Um pouco de João vai estar sempre presente entre nós. Basta olharmos para o Cristo Redentor do Alto do Cruzeiro ou o busto de Monsenhor Eliseu Diniz em frente ao Museu do Cangaço. São dois ótimos exemplos da sua arte e do seu talento. Valeu João. Fique com Deus.

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