Triste fim de chapeleta, o Ex-CaretaNuma segunda de carnaval, num ano entre o aqui e o acolá, saiu todo amostrado o chapeleta para a grande competição.
Com suas roupas de ouro, seu chapéu do tamanho do mundo, sua botas de couro de jacaré e sua máscara importada diretamente de Veneza, ele estava certo de que seria o grande vencedor da grande peleja anual dos ex-caretas.
Para ficar tão bonito, gastou tudo o que tinha na compra de adereços e eram tantos que dariam para enfeitar um carro alegórico, daqueles que tem lá pras bandas do Rio de Janeiro, e ainda sobraria enfeite.
Mas como diz chapeleta: “Os fins justificam os meios e pra quem sabe calcular vale muito a pena gastar quinhentos pra apurar mais de mil”.
O relho de chapeleta era cheio de frescura: cabo de marfim, ponteira de fibra ótica, corda seda chinesa... No tempo dos Caretas (e isso já faz muito tempo) relho que era relho estalava, mas na moda do chapeleta relho tem que estrelar.
Chegando a avenida central teve inicio a competição, mas algo estava errado, pois além do chapeleta não havia mais nenhum competidor.
Será que haviam esquecido? Será que não houve divulgação?
Bom, não importa. O que importa é que chapeleta, rapaz direito que é decidiu fazer assim mesmo sua tão ensaiada exibição, só pra ninguém comentar que ele papou o prêmio sem nada ter feito para merecer.
Chapeleta respirou fundo, mirou os distintos jurados e logo que ouviu seu nome anunciado no carro de som começou o seu balé: Deu três pulinhos pra esquerda, um cangapé, dois rabos-de-arraia, quatro plie , cinco padedê e descambou na carreira.
Até que estava muito bonito o arroxa do ex-careta. O problema é que na hora de estal... digo, estrelar o seu relho o chapéu pendeu para um lado, as fitas embolaram no salto das botas do chapeleta e na agonia de não dar com a cara no calçamento, o nosso herói perdeu o impulso e o relho bateu fofo.
Chapeleta fez um pantim pra mostrar que estava tudo bem com ele, deu mais um pulinho e tentou mais uma vez pipocar o seu chicote, mas desta vez foi pior, pois o relho enganchou nas pernas do pobre palhaço. Daí ele perdeu de vez o equilíbrio, cambaleou e caiu de cara aos pés do inventor daquele grande evento. Ali caiu, ali adormeceu e nunca mais acordou.
Agora não tem mais carnaval, não tem estalo de relho, não há mais máscara, chapéu, nem tabuleta. Acabou-se a alegria, acabou-se a fantasia... Todo culpa do chapéu... O chapéu do chapeleta.
P. S.:Para que sabe ler, um traço é palhaço!
Nenhum comentário:
Postar um comentário