sexta-feira, 17 de abril de 2009

O DESBAFO DO ATOR E DIRETOR DENIS GOMES

Em E-mail enviado a nossa redação o Ator e Diretor de teatro Denis Gomes* fala sobre a Paixão de Cristo de Triunfo.

Lamento por não estar com muito tempo para escrever, mas chega um momento em que "o silêncio precede o esporro". Não aguento mais só escutar comentários maldosos, ingerências, trapalhadas e má fé.
As postagens são fantásticas. Traduzem muito bem o nosso sentimento de angústia, descaso e desrespeito ao que nos pertence de verdade.
Quando tive a oportunidade de gerenciar o processo cultural local deparei-me com uma opinião capitalista empresarial que declarava que a nossa Paixão não deveria ser o foco (foco do turismo em Triunfo na Semana Santa).
Foi a gota d'água após duas reuniões com o empresariado local e as feridas ainda por cicatrizar deixadas pelas ressacas dos anos anteriores em que João Araújo (Diabo), Alberto (Cristo; o melhor que já assisti), eu (Pilatos, Herodes, Corifeu e Diabo), Germano Santos (Pilatos, apóstolo Pedro), Teco (Caifás) e a equipe do SESI-PE carregamos o espetáculo nas costas, sobretudo com a sua renovação radical implicando as suas remodelações (iluminação, efeitos, recurso de dublagem que dá um trabalho imensurável, novas cenas como A bacanal de Herodes, A Pietá, o encontro de Jesus e Maria Madalena após sua ressurreição, uma cavalaria, o caminho da Paixão na Avenida Frei Fernando, enfim toda a nova roupagem dada ao espetáculo) foram suficientes para eu afirmar que já existia antes de ocupar aquela função e que o espetáculo existia também, desde antes de mim e que por isto merecia mais respeito, mais respeito pela sua contribuição à história da nossa cidade. Não fizemos e não nos mobilizamos porque as amarras das cifras aliadas ao desmando pouco intelectual e despótico das autoridades executivas (que não é novidade nunca terem a menor sensibilidade artística ou cultural) e daquelas detentoras dos mais altos escalões da pirâmide social, as quais são as que mais lucram com o espetáculo simplesmente o negligenciaram.
Todavia, diante desta perspectiva de frustração, observável no simples gesto do nosso "Cristo" Alberto ao encontrar-se com o amigo Lucivaldo, após ter locado filmes da Paixão de Cristo e levar para assistir em casa para alimentar sei lá o quê: talvez a esperança ou o desespero; bem como diante da insensatez, prepotência, ingerência e puerilidade de se dizer que “se está devolvendo ao artista de Triunfo o direito de se participar da Paixão de Cristo” quero dizer que retomaremos sim a luta, entendendo que não se trata de mera política privada, mas, sim, de paixão. Não uma paixão qualquer, mas uma paixão que poderá levar homens e mulheres a levantar as pilastras hora caídas (vide fotos), pôr por terra o matagal, reerguer cenários e a remontar a história da nossa Paixão e a história daquele que deixou um legado fantástico de HUMILDADE e AMOR, fazendo a própria história da PAIXÃO.

*Denis Gomes é dramaturgo, ator, diretor de teatro, co-fundador do GAT (Grupo de Artes de Triunfo), Ex-Diretor de Cultura do Municipio de Triunfo, Membro da No Code, idealizador do 1º e 2º Festival de Teatro de Triunfo, do Maracatu Serra Grande do Pajeú e do Coral Vozes do Guarany, foi diretor de múcleo da Paixão de Cristo de Triunfo ao lado de João Araujo.

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