quarta-feira, 13 de maio de 2009

TUDO, MENOS PE CONHECE PE

Por Denis Gomes

Foi mais uma festa como outra qualquer, sem o menor propósito, além do de divertir às custas de uma (s) atração (ões) no palco, dos efeitos alucinógenos do álcool e flertes e paqueras.
A cidade vestiu-se de uma beleza incontestável, como sempre faz para as grandes festas: muita neblina, frio, Cine Theatro Guarany imponente, reluzindo nas águas do Lago João Barbosa e elegância dos presentes.
Apesar do cenário propício para a constituição de uma verdadeira vitrine pernambucana, com cara e elementos pernambucanos, tudo, ou melhor, quase tudo o que se viu foi importado de outros lugares além das fronteiras de Pernambuco. Que tremendo vacilo da organização do evento! Sinceramente ainda não cheguei ao raciocínio do Governo do Estado ao proclamar um tema como este e se perder totalmente. E a prefeitura local não interveio na programação?
A dicotomia entre a proposta do evento: Pernambuco conhece Pernambuco / Rota Cangaço e Lampião e o que se viu chegou a ser gritante, a ponto dos organizadores não terem puxado as orelhas do mesário que insistiu em tocar swingueira nos intervalos entre os artistas, isto mesmo, pasmem: swingueira! Que representatividade tem este corpo estranho para a salubridade da cultura que merece ser justificada dia-dia, por sermos o estado de maior diversidade cultural do país? E Dudu Nobre? Bom show, mas sem conexão com um Pernambuco conhece Pernambuco.
Temos grandes nomes pernambucanos na cena nacional. Afora isto, ainda nos impuseram uma banda de forró cearense e clones de Victor e Leu (ou Leo; não sei). Por conta de Pernambuco mesmo, confesso que só assisti ao Renascer do Sertão que dançou para meia dúzia de pessoas e as vinhetas de Silvério Pessoa.
Podem até enganar o meu estômago, mas a minha percepção jamais!
Olhos abertos minha gente, Pernambuco tem que mostrar o que tem (e como tem!) e não contrafações estrangeiras, simulacros de mau gosto e distorções degeneradas do nosso brasão leonino do norte; Triunfo deve estar em sintonia e rechaçar, pelo menos aos poucos, aquilo que ilude, mas não transforma.

2 comentários:

  1. Acredito que o processo de comunicação em Triunfo precisa ser mais propositivo, a comunicação é um direito humano, assim como a agua, alimentação,dignidade, enfim....pois ninguem vai na carolino Campos, ver Antônio Nobrega por exemplo, sem nunca ter ouvido pelo menos na rádio local.

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  2. É verdade, Indiano. Muito bem colocadas as palavras. É preciso que os professores levem pra dentro das suas salas de aula elementos construtivistas, que os pais repensem, também, no reflexo que determinados gêneros provocarão nos seus filhos, que a rádio insista mais, seja mais persistente no cultivo da boa música e que esta consciência coletiva espalhe-se pelas outras linguagens artísticas, fazendo o "costume de casa sair à praça". O que eu escrevi, o dileto companheiro comentou e eu retruco só justifica, mais uma vez a minha postagem a cerca do evento Jornada Cultural de Jericó, que distorcidamente enfraquece quaisquer propósitos educativos e de formação de platéia e que mais uma vez se repetiu no Pe conhece Pe.

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