A ideia desta viagem que começa agora nasceu na mesa quadrada, no Beto’s Bar, enquanto folheávamos álbuns de fotografias e líamos antigas edições dos Jornais “A VERDADE ESCRITA” e “A VOZ DO SERTÃO”, periódicos que eram publicados em nossa cidade, mas isso é assunto para outras matérias. Fiquemos então com a primeira viagem ao fundo do pote.
Aproveitem!
CIRCO UBERLÂNDIA
Por Robério Vasconcelos*
Circo Uberlândia às margens do açude, no centro de Triunfo/PE (arquivo pessoal)
De acordo com vários depoimentos e declarações feitas por antigos moradores de nossa cidade, no meio do ano de 1967 chegava a Triunfo - PE o circo Uberlândia, vindo da cidade de Afogados da Ingazeira.
O primeiro caminhão chegou por volta de 11:00hs de uma manhã de quarta-feira, trazendo as barracas, materiais de cozinha, camas, bancos, mesas, pertences pessoais e do circo, no final do dia chegava a segunda turma em um caminhão “FORD” um dos maiores da época.
As tendas foram armadas em frente a casa do comerciante e alfaiate José Veríssimo, ao lado do açude e da casa do motor “energia”. As refeições eram feitas nas próprias tendas usando água vinda da cacimba de Chico Leite e os banhos eram na bica de Manoel Borges.
No dia seguinte iniciaram o processo de montagem do circo, cerca de 10 homens do próprio circo trabalharam o dia todo para erguer a parte principal e os detalhes finais ficaram para a sexta-feira. Nesse mesmo dia por volta de 15:00hs saiu pelas ruas da cidade um palhaço perna de pau convidando os moradores para o espetáculo a noite, o palhaço era acompanhado de várias crianças, as quais tinha a entrada grátis pela participação com o palhaço.
Por volta das 19:00hs começam a chegar os espectadores para a estréia do circo, antes das 20:00hs o palhaço Xexeú deu ínicio ao espetáculo, acompanhado de seu auxiliar que fazia várias perguntas e brincadeiras com o público. Xexeú era a alegria do circo, todos riam com suas brincadeiras e apresentações. Em seguida ao palhaço vieram os malabaristas, os 3 irmãos Acadias, eles apresentavam um show com escadas, trapézio e malabarismo. Uma curiosidade nessa apresentação era que o irmão mais velho colocava uma escada de cerca de 6 metros nos ombros enquanto os dois outros subiam para realização de malabarismo.
Dando sequência ao espetáculo, vinham as apresentações de Terezinha Ramalho (voz e acordeom) e seu irmão Gilvan Ramalho (voz e violão), Terezinha cantava e tocava as músicas de Ângela Maria, Dalva de Oliveira e muitas outras cantoras da época. Gilvan seu irmão além de acompanhar Terezinha no Violão, também cantava músicas de Orlando Dias, Cauby Peixoto, Nelson Gonzalvez e outros. Era um show de cerca de 60 minutos que também tinha a participação da cantora Lourdinha que cantava músicas do estilo de Teixeirinha, sendo acompanhada pelos irmãos Ramalho.
Logo após a apresentação musical, o apresentador anunciava a segunda parte das atrações da noite, era o teatro, o qual cada ator era apresentado ao público por seus nomes e papeis. Participavam do teatro os músicos, os cantores, os irmãos do trapézio, o auxiliar do palhaço e o apresentador do circo. O teatro era dividido em quatro atos, após cada ato dava-se um intervalo para troca de cenário e de figurino, o palco ficava num canto do circo e tinha bonitos cenários.
Várias peças e dramas foram encenadas, algumas religiosas que contava com a presença das freiras do Stella Maris e as internas. Uma das peças mais assistidas era “Marcelinho pão e vinho” entre outras que eram do agrado das religiosas. Mas a presença das religiosas durou pouco, pois as peças estavam fugindo da censura a qual elas submetiam as internas. Outra peça que teve bastante destaque foi o “Ébrio”, com a participação marcante de Gilvan Ramalho na voz e no violão, que marcou a geração de quem assistiu.
Foram várias as apresentações do circo Uberlândia, sempre das terças aos domingos, sempre no mesmo horário, às 15:00hs para matinê e às 20:00hs para apresentação aos adultos.
Durante a permanência do circo, o Cine Teatro Guarany teve uma baixa nas suas bilheterias, pois os espectadores do circo vinham de todos os cantos, Serra Talhada, Santa Cruz da Baixa Verde, Jericó e sítios vizinhos, alem da população triunfense.
Entre os circos que passaram por Triunfo, o Uberlândia foi um dos que marcaram uma geração. Muitos outros também fizeram parte da história de nossa cidade, o que ficou instalado dentro do açude, no terreno da rodoviária (atual teleférico), no campo do cemitério, no alto da boa vista, os quais vamos postar em publicações futuras.
*Robério Vasconcelos é triunfense e atualmente reside em Campina Grande/PB.É pesquisador e grande entusiasta da cultura popular nordestina, além de ser Diretor do CLUBE DO REPENTE e co-editor do blog que leva o mesmo nome.
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