quinta-feira, 4 de março de 2010

GRUPO EXALTA CANHOTO DA PARAÍBA

Show // Trio de Câmara Brasileiro lança CD Saudades de Princesa, uma homanagem ao violonista, hoje no Teatro Apolo
A primeira homenagem à altura do legado de Canhoto da Paraíba é o CD Saudades de Princesa, lançado pelo Trio de Câmara Brasileiro. O grupo é formado por Caio Cezar (direção musical e violão), Alessandro Valente (cavaquinho) e Pedro Amorim (bandolim e violão tenor). São doze faixas que fazem uma leitura camerística para as refinadas melodias de Canhoto. São três para tocar um, como diz bem-humorado Caio César, afinal, tocar como Canhoto é algo praticamente impossível. Possível é homenageá-lo e fazer com que o concerto circule por salas de todo país. No Recife, o trabalho ao vivo pode ser conferido nesta quinta-feira, às 20h, quando o Trio faz apresentação no Teatro Apolo. O concerto faz parte de uma turnê que o grupo vem realizando por várias capitais brasileiras e que termina dia 30 de março, no Rio de Janeiro.
O CD é quase o "pagamento" de uma dívida de Caio a Canhoto. Os dois são unidos por laços de família. O pai de Caio é da mesma cidade de Canhoto, Princesa Isabel, na Paraíba. Sua irmã Santana foi casada com um irmão de Canhoto, mais conhecido por China. As primeiras lembranças de Caio, que era garoto quando Canhoto já era um exímio violonista, são das serestas nas casas da família, em virtude de batizados, aniversário, fins de ano. Caio formou-se em violão pela Universidade Federal de Pernambuco, mas foi morar no Rio de Janeiro em 1987. Somente dez anos depois, outra vez de férias no Recife, é que reencontrou Canhoto. Mais uma vez, na casa de parentes em comum. Foi ali que, pela primeira vez, houve um encontro entre os dois violonistas."Começou ali, tocamos choros, reconheci a obra dele, surgiu a ideia de um concerto de dois violões, em teatros. Começamos a planejar isso", conta Caio. Entre as articulações que fez na ápoca, um rendeu o convite para tocarem no projeto Pixinguinha de 1997. O outro era de gravar um CD pela gravadora Velas, com a qual Caio mantinha um contrato na época. Caio e Canhoto ainda chegaram a ensaiar juntos, mas nenhum dos dois projetos foi possível de ser realizado. O Projeto Pixinguinha foi suspenso naquele ano, pelo governo Collor, e só retornaria em 2003. O CD da Velas não foi possível pois antes de ser gravado, em 1998, Canhoto sofreu um AVC. Ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado. "Foi uma tristeza tão grande que também não fiz mais nehum CD com a Velas", recorda Caio.Em 2003, com a volta do Pixinguinha, Caio conta que todos os grupos que estavam na agulha para tocar em 1997 foram chamados para reestrearem o programa. Logicamente, ele não podia mais contar com Canhoto, e foi aí que chamou Alessandro Valente (cavaquinho) e Pedro Amorim (bandolim e violão tenor). Estava formado o Trio de Câmara Brasileiro. Eles fizeram o circuito do Pixinguinha, com mais da metade do repertório de músicas de Canhoto. O projeto para gravarem o repertório do show existia desde essa época, mas só foi possível agora, com o patrocínio da Petrobras e do selo Crioula Records. Canhoto da Paraíba morreu no dia 24 de abril de 2008, vítima de um infarto que sofreu em casa, no bairro de Maranguape, em Paulista. O choro Saudade de Princesa, contou ele numa entrevista, foi a primeira música que compôs. A canção era considerada por Paulinho da Viola, seu admirador confesso, uma das mais difíceis do seu repertório.
Técnica única de tocar violão
O repertório gravado em Saudades de Princesa é também fruto da generosidade de amigos de Canhoto, como o pernambucano Marco César, cujo pai, Tozinho, era violonista e foi um dos maiores parceiros de Canhoto da Paraíba. Marco herdou do pai não só partituras, mas fitas k-7 com registros de músicas inéditas. "São gravações feitas em festas, encontros deles, que tivemos primeiro que limpar, havia barulho de copos, talhares, gente falando, depois fizemos as partituras, adaptando para os nossos instrumentos", conta Caio. A parte das adaptações é a mais interessante de todo trabalho. Canhoto, como é sabido, tocava com o violão invertido, mas as cordas ficavam no mesmo lugar. Porque o instrumento também era compartilhado com seus irmãos, que eram destros. "Violão foi feito para anatomia da mão do homem. Para o polegar tocar os graves, e indicador e dedos médios tocarem os agudos, que fazem a melodia e a harmonia. O polegar faz a função do contrabaixo. Quando ele invertia, ficava com três dedos para tocar os graves,e um dedo para solar os agudos. Aquilo era impossível tocar", conta Caio. Na sua análise, Canhoto desenvolve assim uma técnica de composição que só ele executou na música brasileira. "Nem Baden (Powel), nem ninguém. É melódico e harmônico até dizer basta", rasga Caio César. Por isso ele brinca, dizendo que um violonista sozinho não toca a música de Canhoto. "A obra dele só podia ser tocada da forma que ele tocava. A gente tem que entender a música e tocar da nossa forma, destra", diz. O trabalho de Trio de Câmara, que começou portanto em virtude de Canhoto, passa a conduzir as próximas experiências do grupo. Uma proposta já conduzida por grupos como o Quinteto Armorial, que é trabalhar repertórios populares sob a forma de música de câmara.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Michelle de Assumpção

Um comentário:

  1. Diante de tantas coisas boas no blog, trago esse comentario ruin, o comentario abaixo não tem aver com o texto acima, mas isso precisaria ir ao publico, ou vocês do Bom Tiunfo Bom ainda não tinha dado-se conta do tal problema. Caro amigo Lucivaldo e André Vanconcelos, peço que por favor leve ao publico esse meu comentario, agradeço muito...

    Transtornos!!
    A obra do Patio de Eventos no centro de Triunfo esta causando Transtornos aos pedestres, uma ves que: ao faser um curral que contorna a praça Carolino Campos, tira toda visibilidade dos pedestre, motoristas e motociclista que trafega pelo local, uma ves que não há nenum tipo de sinalização, ao passar pelo local em inumeras veses eu mesmo fuiquase atropelado por motoristas e motociclistas inrresponsaves que pelo local passava em alta velocidade, para completar o Sr Danda ainda estaciona seu veiculo no mesmo local fasendo com que a pista fique mais estreita ainda, não estou dialogando isso como o " EU", mas sim, como um todo. Gostaria muito que fosse tomado tais providencias, por isso que venho blogar meu pensamento como um cidadão que paga seus impostos em dia.
    www.gstudiogravacoes.blogspot.com

    ResponderExcluir