Tema foi discutido sob a ótica dos maestros Spok, Nunes e Ademir Araújo
“Carnaval todos os estados tem, mas frevo só Pernambuco”. Foi ressaltando um dos diferenciais da cultura carnavalesca do estado que o Maestro Nunes iniciou o sétimo debate da série “Entendendo o Carnaval”, realizado nesta terça-feira (24), no Teatro Arraial. Ao lado de dois outros renomados músicos, maestro Ademir Araújo e Spok , foi discutida a história e os rumos das orquestras de frevo de Pernambuco, durante o evento promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
Nunes falou com a propriedade e, sobretudo, a tranqüilidade de quem vivencia o frevo desde muito pequeno. Aos nove anos, nascido no município de Vicência (Zona da Mata Norte), já tocava em bandas de cidades do interior. Afirmou que o evento era uma das formas de se registrar uma “marca” pertencente ao estado. “O frevo é uma patente nossa. Pernambuco precisava de debates como este”, elogiou.
O Maestro Ademir Araújo, ou “formiga” como também é conhecido no meio, aproveitou a oportunidade para questionar o atual “enxugamento” das orquestras de frevo, que de acordo com ele, chegam a ter sete músicos quando, na verdade, deveriam ter em média, 25, para dar conta da complexidade dos arranjos melódicos do ritmo. “O Carnaval de Rua tem que voltar, assim como os clarinetes e as tubas!”, pediu, referindo-se a instrumentos muitas vezes descartados por algumas orquestras. No entanto fez questão de ressaltar que o frevo anda mais vivo do que nunca: “Não aceito alguém dizer que o frevo não é moderno ou que está morrendo”.
A vitalidade do ritmo foi também abordada pelo maestro Spok, bastante conhecido pelas experimentações em suas composições como também pelas releituras que realiza de antigas canções. “Um dos diferenciais de nosso trabalho é que todos os arranjos são elaborados para que o músico possa solar, improvisar”, afirmou o regente da Spok frevo Orquestra, que tem seu trabalho muitas vezes comparado ao jazz americano, marcado pelas técnicas de improviso.
Quando questionando se esse recurso não iria desvirtuar o frevo, ele disse: “O mais importante para qualquer pessoa é não perder a alma. Isso nós não temos como perder”. Partilhando desta mesma opinião, maestro Nunes interferiu afirmando que ninguém deve impedir a inovação nem o improviso no ritmo. “O que nós devemos combater é que não se modifique a estrutura do frevo, porque se não ele acaba”, disse, mas ressaltando que não gostava de frevo “em ritmo de valsa”, referindo-se às novidades implementadas na música pelo maestro Spok.
Um outro ponto bastante discutido durante o evento foi a necessidade de sistematização dos conhecimentos e técnicas acerca do frevo, já que o material teórico e metodológico sobre o ritmo foi considerado bastante escasso. Spok, por exemplo, fez uma comparação com a música americana sobre a qual é possível encontrar vários livros e estudos já realizados. “Se nós conseguirmos conferir ao frevo um sentido de escola, de ensinamento, as pessoas passarão a ter idéia de como a gente toca e executa nossas canções. Fica mais fácil de mantê-lo vivo”, analisou.
Texto: Débora Duque
Fonte: http://www.fundarpe.pe.gov.br/debate-sobre-orquestras-de-frevo-movimentou-teatro-arraial-nesta-terca-24
“Carnaval todos os estados tem, mas frevo só Pernambuco”. Foi ressaltando um dos diferenciais da cultura carnavalesca do estado que o Maestro Nunes iniciou o sétimo debate da série “Entendendo o Carnaval”, realizado nesta terça-feira (24), no Teatro Arraial. Ao lado de dois outros renomados músicos, maestro Ademir Araújo e Spok , foi discutida a história e os rumos das orquestras de frevo de Pernambuco, durante o evento promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
Nunes falou com a propriedade e, sobretudo, a tranqüilidade de quem vivencia o frevo desde muito pequeno. Aos nove anos, nascido no município de Vicência (Zona da Mata Norte), já tocava em bandas de cidades do interior. Afirmou que o evento era uma das formas de se registrar uma “marca” pertencente ao estado. “O frevo é uma patente nossa. Pernambuco precisava de debates como este”, elogiou.
O Maestro Ademir Araújo, ou “formiga” como também é conhecido no meio, aproveitou a oportunidade para questionar o atual “enxugamento” das orquestras de frevo, que de acordo com ele, chegam a ter sete músicos quando, na verdade, deveriam ter em média, 25, para dar conta da complexidade dos arranjos melódicos do ritmo. “O Carnaval de Rua tem que voltar, assim como os clarinetes e as tubas!”, pediu, referindo-se a instrumentos muitas vezes descartados por algumas orquestras. No entanto fez questão de ressaltar que o frevo anda mais vivo do que nunca: “Não aceito alguém dizer que o frevo não é moderno ou que está morrendo”.
A vitalidade do ritmo foi também abordada pelo maestro Spok, bastante conhecido pelas experimentações em suas composições como também pelas releituras que realiza de antigas canções. “Um dos diferenciais de nosso trabalho é que todos os arranjos são elaborados para que o músico possa solar, improvisar”, afirmou o regente da Spok frevo Orquestra, que tem seu trabalho muitas vezes comparado ao jazz americano, marcado pelas técnicas de improviso.
Quando questionando se esse recurso não iria desvirtuar o frevo, ele disse: “O mais importante para qualquer pessoa é não perder a alma. Isso nós não temos como perder”. Partilhando desta mesma opinião, maestro Nunes interferiu afirmando que ninguém deve impedir a inovação nem o improviso no ritmo. “O que nós devemos combater é que não se modifique a estrutura do frevo, porque se não ele acaba”, disse, mas ressaltando que não gostava de frevo “em ritmo de valsa”, referindo-se às novidades implementadas na música pelo maestro Spok.
Um outro ponto bastante discutido durante o evento foi a necessidade de sistematização dos conhecimentos e técnicas acerca do frevo, já que o material teórico e metodológico sobre o ritmo foi considerado bastante escasso. Spok, por exemplo, fez uma comparação com a música americana sobre a qual é possível encontrar vários livros e estudos já realizados. “Se nós conseguirmos conferir ao frevo um sentido de escola, de ensinamento, as pessoas passarão a ter idéia de como a gente toca e executa nossas canções. Fica mais fácil de mantê-lo vivo”, analisou.
Texto: Débora Duque
Fonte: http://www.fundarpe.pe.gov.br/debate-sobre-orquestras-de-frevo-movimentou-teatro-arraial-nesta-terca-24
Nenhum comentário:
Postar um comentário