quinta-feira, 23 de abril de 2009

HISTÓRIA DO CHORO

Trecho do trabalho de Hamilton de Holanda, presente no site O Choro em Brasília que traça um histórico desse segmento musical.

Choro: A Forma que se transformou em Gênero
Raul Pederneiras, caricaturista, jornalista e autor de revistas teatrais, publicou em 1922, no Rio de Janeiro, sob a indicação de "Verbetes para um dicionário de gíria" a seguinte definição para a palavra choro: "Choro - Baile, musicata. Concerto de flauta, violão e cavaquinho. Música improvisada. Cair no choro, dançar." A definição é interessante por mostrar que ao iniciar-se a década de 20, considerava-se o choro como uma forma de tocar e não como um gênero musical como é considerado hoje. Desde a metade do século XIX, o que se chamava de choro era realmente a música tocada em bailes tendo como formação do conjunto executante os instrumentos: flauta, responsável pela condução da melodia principal; cavaquinho, centrador de rítmo,e ; violão harmonizador. Estes conjuntos tocavam gêneros como o maxixe, a polca, a mazurca - gêneros europeus -, o lundu africano, dando um caráter de improviso a estes estilos. O mais conhecido dos primeiros líderes de conjuntos de choro é Joaquim Antônio da Silva Callado, flautista carioca que compôs aquele que é considerado o marco do início das composições que hoje são consideradas Choro: A Flor Amorosa - ele compôs como polca e assim está na partitura original -, que mostra a influência que o Choro sofreu e sofre das danças européias. Cabe ressaltar a importância de não creditarmos o início do desenvolvimento de um processo social da criação do Choro a apenas um instrumentista. Apesar disto, é notória a importância de "Callado" na época da formação dos primeiros grupos de choro e de fixação do estilo. A partir de 1880, com o aumento do número dos chamados "conjuntos de choro" - agora estes pequenos conjuntos de flauta, cavaquinho e violão não tocam apenas musicas instrumentais como também acompanham cantores em modinhas da época - o choro torna-se cada vez mais popular.
O Gênero Choro: A assimilação de influências
Como estes conjuntos tocavam à base de improviso, começou a desenvolver-se um elemento fraseológico que chamamos de baixaria. As baixarias são melodias feitas pelo violão, diferentes das melodias principais executadas pelo instrumento solista - agora não só a flauta, mas também o ofclide, o bandolim e outros - e que se tornaram uma das peculiaridades do choro. A partir da década de 20 a música popular começa a sofrer influência da música comercial norte-americana, fazendo com que antigos instrumentistas de choro parassem de tocar; outros músicos profissionalizaram-se, aderindo às grandes "jazz-bands", trocando o já falado ofclide pelo moderno saxofone, demonstrando um primeiro sintoma da esmagadora influência da música feita nos Estados Unidos. Nesta época, Alfredo da Rocha Vianna Filho, o conhecido Pixinguinha, passa a tornar-se conhecido por suas composições e seu estilo de tocar flauta transversal; aderi a filosofia de Mário de Andrade de que a música estrangeira não deve ser repudiada, mas sim adaptada ao jeito brasileiro de tocar. O choro instrumental, já se firmando como gênero musical nascido no estilo de tocar, passa a ganhar letra, tornando-se música cantada, sob o nome de samba-choro. Os conjuntos de choro passam agora a admitir o uso de percussão, sendo chamados de regionais de choro, ou simplesmente "regionais". A partir da Segunda Guerra, o choro transformou-se em mais um dentre os gêneros criados com o aparecimento da música de consumo ligada aos interesses das grandes gravadoras internacionais. Apesar disso, sobreviveu, em parte, pela continuidade do estilo de acompanhamento dos regionais da era do rádio - chegando a promover o surgimento do mestre da "baixaria" no violão de 7 cordas, Horondino Silva, o Dino 7 cordas - e, pelo talento de alguns intérpretes e compositores como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e seu conjunto Época de Ouro, Altamiro Carrilho, Benedito Lacerda, Luperce Miranda, entre outros. Um grande instrumentista e compositor que ajudou para o desenvolvimento e crescimento do choro foi Waldyr Azevedo, que com seu cavaquinho percorreu o mundo para a divulgação do choro e de sua música na década de 50.

Leia o texto completo de Hamilton de Holanda acessando:
http://www.secrel.com.br/elismar/artchoro/histchoro.htm

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