segunda-feira, 20 de abril de 2009

O descaso pelo pobre

Artigo do escritor Jorge Ramos, publicado no Diário de Pernambuco.

O descaso pelo pobre
Amarás o teu próximo como a ti mesmo, estais agindo bem, mas se fazeis acepção de pessoas, cometei um pecado e incorreis na condenação da lei como transgressores" (epístola de São Tiago: o respeito devido aos pobres). Porém no mundo em que vivemos acontece o inverso - há um descaso pelo pobre. Por que a Sociedade não toma como exemplo o nascimento de Cristo? Visto que os primeiros a visitarem o Filho do Criador, a convite deste, foram os representantes da classe mais insignificante de Belém naquele tempo: os pastores de ovelhas que eram marginalizados por aquela sociedade. Pó que os ricos não procuram fazer algo pelo pobre? É porque seus valores são materiais e, ao darem alguma coisa a um necessitado, sentem que seus bens lhes são subtraídos; e com isto têm a sensação de perda em seus valores, ocasionando uma insegurança do medo de ficarem pobres. Essas pessoas consideradas pobres acham-se inferiorizados, chegando a se sentir desvirtuosas, com pouca inteligência, ou seja, como alguém que esteja no mundo, por favor, com a permissão dos ricos, e este, têm os pobres, como indivíduos dotados de vários defeitos, e até pedirem esmolas como toda a sua humildade, os incomodam. Contam uma história: havia um grupo de pessoa discutindo sobre futebol, onde participavam alguns doutores, pessoas de nível médio e também tomava parte um contínuo, que se chamava Pedro: era uma pessoa muito humilde e a miséria o rodeava, tirando-lhe quase o fôlego. Era um entusiasmado pelo futebol. Seu interesse por esse esporte, amenizava em parte as suas agruras, seus sofrimentos. Tinha adquirido com o tempo um certo conhecimento dessa modalidade esportiva. E por isto, achava que poderia dar a sua opinião, e assim o fez. Ouviram-lhe obrigatoriamente. Ao terminar a sua última palavra um doutor disse: ele até que entende de futebol! Um de nível médio, para aparecer, proferiu o seguinte: ele até que não é muito burro, não! O abandono pelos pobres é tão grande, que até a Justiça, com seus grandes braços para proteger a todos, sem distinção, geralmente não os alcança, porque eles se encontram sempre distanciados. A pobreza é desprezada, sem valor, porque é vestida com uma roupa que não reluz, não emite claridade, é opaca. A humildade que geralmente a acompanha, tem uma voz muito fraca, ou quase nenhuma, e de pouco alcance. Ela no rico é digna de elogios, porém no pobre o prejudica, aumentando mais a sua insignificância. Só valorizamos os pobres quando queremos ser bons, oferecendo-lhes a nossa ajuda temporária. Há um tempo em que os pobres são mais lembrados: é nas festas de fim de ano, quando eles tornaram-se importante, porque servem do objeto para a caridade, que é feita com mais frequência neste período, e a que eu chamo de caridade de fim de ano, porque, algumas pessoas estabelecem datas para fazerem essa benevolência.
Fonte: Diário de Pernambuco
Texto: Jorge Ramos // Escritor - opiniao.artigo.pe@diariosassociados.com.br

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